Os riscos de andar descalço
Muitas crianças caminham e correm descalças em vários tipos de terrenos.
É saudável para a criança brincar e caminhar descalça, porém a não proteção da sola dos pés é um fator de risco para feridas na planta dos pés.
Um problema comum em crianças são as feridas plantares causadas por pisarem sobre prego ou sobre pedaços de vidro (copos ou garrafas quebradas).
Além disso, pequenos objetos esquecidos no chão, como agulhas, alfinetes, podem representar riscos para as crianças.
As feridas perfurantes nos pés de crianças
Essas lesões podem ocorrer em qualquer terreno e um dos locais possíveis seria na praia, onde os corpos estranhos ficam escondidos e cobertos pela areia fofa.
Na própria residência podemos ter lesões, desde que pequenos objetos perfurantes sejam esquecidos no chão.
A maioria das crianças tem evolução favorável com os cuidados locais da ferida (retirada do corpo estranho, lavagem da ferida e prevenção do tétano), por isso é fundamental ter a carteira de vacinação em dia.
Precisamos estar atentos para as possíveis complicações infecciosas:
– Infecção da pele e tecido abaixo da pele do pé e tornozelo, denominado de erisipela;
– Infecção de partes moles com formação de coleção purulenta, denominado de abscesso;
– Infecção do tecido esquelético, denominado de osteomielite (osso) ou artrite séptica (articulação).
Como reconhecer a complicação infecciosa?
O quadro clínico da infecção é bem evidente:
– Dor ao redor da ferida;
– Inchaço no dorso do pé e tornozelo;
– Impossibilidade para caminhar;
– Sinais inflamatórios locais (vermelhidão, aumento de temperatura local);
– Febre
As complicações ortopédicas:
O prego é o mais comum objeto penetrante associado à osteomielite do pé.
Mesmo feridas pequenas e, a princípio, sem preocupação, podem ter evolução infecciosa.
Osteomielite do pé:
Para o diagnóstico, teremos o quadro clínico citado acima, com dor à palpação do osso envolvido e exames laboratoriais compatíveis com quadro infeccioso. O exame radiológico do pé, no início do quadro, pode ser normal.
Na suspeita de corpo estranho retido no pé, devemos investigar com exame de imagem, sendo a ultrassonografia bastante eficaz em identificar pedaços de vidro ou qualquer objeto que seja radiotransparente, não sendo portanto, visualizado na radiografia.
O tratamento:
Os quadros infecciosos, sem corpo estranho retido no pé exigem administração de antibiótico específico.
A presença de corpo estranho retido no pé, necessita retirada cirúrgica.
A presença de coleção purulenta (abscesso), exige drenagem cirúrgica e antibiótico específico.
A osteomielite exige internação hospitalar, administração de antibiótico endovenoso, alguns casos drenagem cirúrgica com lavagem exaustiva do osso envolvido.
Conclusões:
Brincar e correr descalço é saudável para as crianças e deve ser estimulado.
Atenção deve ser dada aos terrenos onde seus filhos estão expostos.
Cuidado com parques públicos, praia, e mesmo na residência, em que o chão pode conter corpos estranhos com possibilidade de lesões plantares nas crianças.
Devemos reconhecer precocemente as complicações de lesões nos pés e procurar atendimento e tratamento adequado.
Recomendamos sempre que crianças que forem caminhar fora do domicílio, tenham seus pés protegidos com calçados confortáveis.
Um abraço a todos!
Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.
Consultório: Barra Life
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