Escoliose Idiopática







Como tratar?

Escoliose é um desvio lateral da coluna com rotação do corpo vertebral, caracterizando curvas rígidas conhecidas como estruturadas.

Como surge?

Existem causas bem definidas para a escoliose, que são:

– Doenças Neuromusculares – Escolioses da Paralisia Cerebral, Mielomeningocele, Distrofias Musculares

– Malformação das vértebras – Escolioses Congênitas, seja por hemivértebra (onde só metade da vértebra cresce), ou barra óssea (onde uma vértebra nasce unida a outra impedindo o crescimento adequado da coluna)

– Síndromes genéticas, como a Síndrome de Down

– Escoliose distrófica da Neurofibromatose

– Escoliose secundária a outras patologias, são as ditas “escolioses não estruturadas” – Desigualdade no comprimento dos membros inferiores, ou patologias dolorosas da coluna como hérnias discais, infecção intervertebral-discite, tumores vertebrais

Escolioses idiopáticas, em que a causa não é definida e que será discutida neste artigo.

Como se manifesta?

Principal queixa é deformidade onde um ombro é mais alto do que o outro, ou existe uma assimetria na cintura.

Não há dor. Queixas dolorosas devem chamar atenção para outras patologias associadas na coluna.

No exame físico observamos surgimento de gibosidade quando solicitamos ao paciente inclinar o tronco para frente – como na foto:




Quais as idades de surgimento?

Escolioses idiopáticas são classificadas levando em consideração a idade:

Infantil- quando surge entre 0 e 3 anos.

Juvenil- quando surge entre 4 e 10 anos.

Adolescente – surge acima de 11 anos.

Existe predileção quanto ao sexo?

Sim, escolioses idiopáticas são mais comuns em meninas e há um componente hereditário associado, sendo frequente encontrarmos história familiar positiva para a deformidade.

Qualquer desvio lateral da coluna é considerado escoliose?

Não, esse conceito é muito importante! Do ponto de vista radiológico, com radiografia panorâmica da coluna vertebral com o paciente em posição de pé, só podemos definir como escoliose aquelas curvas que são maiores ou iguais a 10 graus. Existe um método de medição, feito pelo médico assistente, conhecido como método de Cobb. Portanto, curvas de valor menor do que este, não são consideradas patológicas e não preocupam.

Quais os tipos de curva existentes?

Na escoliose idiopática juvenil e do adolescente o mais comum é curva na coluna torácica à direita, ou seja, a convexidade da curva é para o lado direito. Porém, existem curvas secundárias compensatórias caracterizando assim dupla curva e até tripla curva. O exame de imagem adequado e com boa qualidade é fundamental para essa classificação, conhecida com Lenke, mais moderna e utilizada no mundo todo.

Após confirmação com exame físico e de imagem, como programar o tratamento?

Vários fatores são levados em consideração:

– Idade do diagnóstico

– Tamanho da curva inicial

– Grau de maturidade do esqueleto

– Em meninas,o surgimento da menstruação caracteriza a fase de crescimento rápido da coluna, estirão da adolescência, onde deformidades tendem à piora se não tratadas.

– Biotipo do paciente

– Auto-estima do paciente com sua visão corporal

Em linhas gerais, levando em consideração só o tamanho da curva, tais menores de 25 graus devem ser tratadas com exercícios e atividade física, acompanhadas a cada 6 meses quanto à progressão ou não.

Curvas entre 25 e 45 graus, dependendo da idade, maturação do esqueleto e, nas meninas, do surgimento ou não da menstruação, devem ser protegidas com colete.

Existem vários tipos de colete para escoliose:

Milwaukee/ Charleston/ OTLS: são os coletes mais utilizados. Cada um tem uma indicação específica na dependência da localização da curva e do biotipo do paciente.

Com relação ao tempo de utilização do colete, muita controvérsia é vista na literatura mundial e varia desde 23 horas por dia, até o uso só durante 8 horas noturnas.

Importante ressaltar que os coletes não tem por objetivo corrigir a curva, seu único objetivo é impedir a progressão da deformidade enquanto o paciente está em crescimento.

Frequentemente são associados medidas fisioterápicas de reeducação postural global associadas ao uso de colete.

Como é feito o seguimento?

Geralmente a cada 6 meses com exame físico e de imagem. Ajustes no colete também são importantes, sempre orientado pelo médico em contato com o profissional que fez o colete (técnico em órteses).

Quando o tratamento é cirúrgico?

Em curvas progressivas,com falha do tratamento conservador e que atingem valores maiores ou iguais a 45 graus.

Por que?

Curvas com esse valor são graves e levam à descompensação do tronco, insatisfação com a visão corporal por parte do paciente e familiares, além de, a longo prazo, levarem à dor por mal alinhamento das articulações. São cirurgias de grande porte, porém com métodos modernos de fixação e correção da curva, trazem ao paciente satisfação com o resultado. Não é usado colete pós operatório. A técnica operatória utilizada é conhecida por artrodese vertebral com instrumentação. Existem métodos de monitorar a função neurológica durante a cirurgia (potencial evocado), garantindo proteção às medula espinhal e raízes nervosas durante a correção da deformidade. Protegendo o tecido nervoso de complicações decorrentes da correção aguda da deformidade. Deve ser levado em consideração na indicação não só o valor da curva mas também a vontade do paciente em corrigir a deformidade. Como vimos, o tratamento da escoliose é complexo, longo e com muitas variáveis de cada caso. O tratamento deve ser sempre individualizado e o acompanhamento médico periódico, visando o melhor resultado final do ponto de vista estético e funcional.




Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.


Consultório: Barra Life

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