Torcicolo em bebês: o que fazer, como tratar?





O torcicolo é uma deformidade da cabeça e pescoço, caracterizado por inclinação para um dos lados com rotação para o lado oposto.


Apresenta diversas causas e pode acometer qualquer idade, inclusive a criança recém-nascida.

O torcicolo muscular congênito:


É causado por uma contratura com encurtamento do músculo de um dos lados do pescoço, em bebês.

O músculo acometido tem a denominação de esternocleidomastóideo.

Vamos nos referir a esse músculo com a sigla ECOM.

Mais comum em meninas, sendo o lado direito o mais acometido.

Geralmente, os familiares notam algo errado nos primeiros meses de vida.

A criança repousa sempre com o pescoço inclinado para um dos lados, tendo dificuldade em movimentar o pescoço para o lado contrário, mesmo quando estimulada para isso.

Alguns pais notam um caroço na palpação no pescoço da criança, que nunca causa dor.



Quando as crianças já estão na fase do desenvolvimento em que sustentam bem a cabeça, a deformidade fica clara e bem evidente.

É frequente a associação com deformidade do crânio, ou seja, leve achatamento de um dos lados da cabeça, pois como a criança fica com o pescoço sempre para um dos lados, a cabeça sofre um achatamento no lado apoiado no berço.


O pescoço das crianças de baixa idade é um segmento do corpo de difícil exame físico, pois é curto, muitas vezes “gordinho” e a criança reage ao tentarmos segurar a cabeça e pescoço para examinar.



A evidência de torcicolo congênito:

Suspeitamos deste diagnóstico quando encontramos um cordão fibroso à palpação do músculo ECOM, o que é referido pelos pais como um caroço no pescoço.

Não há dor à palpação do pescoço.

O torcicolo congênito causa deformidade indolor.

Pouca mobilidade no pescoço para o lado oposto de deformidade, podendo inclusive, nos casos mais severos, notarmos rigidez para a inclinação lateral.


Algumas vezes encontramos assimetria na face da criança, ou seja, diferença na altura dos olhos e orelhas, podendo haver uma evidente assimetria no crânio.

Devemos sempre fazer o exame completo da criança, pois há uma associação entre torcicolo muscular congênito e displasia do quadril em 20% dos casos, portanto, esse segmento deve ser incluído no exame físico.

O diagnóstico é suspeitado com essa história e exame físico devendo ser confirmado com os exames complementares de imagem.

Devem ser avaliados a textura do músculo ECOM bem como a anatomia das vértebras.

O tratamento:

Deve ser iniciado precocemente.

É conservador em crianças abaixo de 1 ano de idade.

Recomendamos exercícios fisioterápicos visando o alongamento do músculo ECOM, orientação para os pais com relação ao manuseio diário da criança, correção das posturas do pescoço e posicionamento no berço.

Nesse momento do tratamento é fundamental a orientação do fisioterapeuta pediátrica.

Nos casos resistentes, em crianças abaixo de 1 ano de idade, temos o recurso da aplicação de Botox no músculo ECOM, promovendo o seu relaxamento e facilitando o trabalho fisioterápico de alongamento muscular, permitindo a correção do torcicolo.



A órtese (colar cervical modelado especificamente para manter a posição corrigida do pescoço) pode ser utilizada diurno em crianças acima de 4 meses de idade ou como pós-operatório.

Em alguns casos, a deformidade do crânio também precisa ser tratada e para isso, é recomendado a terapia com uma órtese para a cabeça que permite a remodelação, restabelecendo o formato arredondado da cabeça da criança.

Essas órteses, semelhante a um capacete, geralmente são prescritos pelo neurocirurgião pediátrico.


O tratamento cirúrgico:

Recomendado nos casos refratários ao tratamento conservador, em crianças acima de 1 ano de idade.

Melhores resultados são obtidos até os 4 anos de idade.

O procedimento consiste no alongamento cirúrgico do músculo ECOM podendo ser unipolar, ou seja, próximo da inserção na clavícula, ou bipolar, onde fazemos o alongamento proximal e distal.

Conclusões:


O torcicolo congênito é uma patologia com bom prognóstico, quando reconhecido e tratado adequadamente com a maioria das crianças, tendo resolução do quadro até o primeiro ano de vida.


Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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