Meu filho está com abscesso na boca, e agora?


O abscesso dentoalveolar é uma consequência muito comum da cárie. Ele é caracterizado pelo acúmulo de células inflamatórias agudas na ponta da raiz do dente (conhecido como ápice do dente) que teve sua polpa necrosada (morta) pelo avanço da cárie.


A CÁRIE


A cárie é uma das doenças mais comuns em cavidade oral de crianças. No Brasil, cerca de 53% de crianças entre 5 e 12 anos tem dentes afetados por cárie e esses dados se agravam conforme aumenta a faixa etária. Muitos pais negligenciam a higiene bucal das crianças e, com isso, a cárie torna-se disseminada, podendo causar problemas mais graves.


DESENVOLVIMENTO DO ABSCESSO


O primeiro passo a caminho do abscesso é a cárie, que é uma doença causada por bactérias que estão normalmente presentes na boca de todas as pessoas, porém em quantidades diferentes. Essas bactérias tendem a proliferar de acordo com o favorecimento do ambiente em que elas se encontram e tendem a destruir os tecidos dentários. Nos casos em que não há o controle dessas bactérias, os tecidos dentários vão sendo degradados até que as bactérias cheguem na polpa do dente. Nessa região são encontrados vasos sanguíneos e nervos e é a porção que mantém o dente vital (vivo) e nutrido. Quando as bactérias atingem essa importante porção do dente, além da sensação de dor, o dente torna-se necrosado (desvitalizado), causando a necrose pulpar.


Essa necrose pulpar, causada pelas bactérias da cárie, gera uma reação inflamatória intensa, e geralmente aguda nas crianças, que extravasa para os tecidos em volta do dente, comprometendo principalmente o osso e a gengiva. Com o tempo, o acúmulo de células e mediadores químicos responsáveis pela inflamação geram dor e formação de pus, que normalmente é eliminado através de um trajeto chamado fístula, podendo ser intraoral (na gengiva) ou extraoral (na pele). É muito comum as crianças relatarem que estavam com uma “bolinha na gengiva” que estourou e saiu um líquido com gosto ruim.


Em alguns casos, o abscesso encontra uma área de disseminação mais fácil no osso e no sentido dos tecidos mais profundos. Quando isso acontece, outras regiões, principalmente músculos do pescoço, podem ser afetadas por esse material purulento, gerando outra condição chamada de celulite. A celulite é uma condição considerada mais grave que o abscesso e necessita de intervenção imediata, com antibióticos e internação hospitalar, pois pode agravar até levar o paciente a óbito.


COMO TRATAR?


O tratamento do abscesso dentário é realizado através de sua drenagem e principalmente pela eliminação da causa da infecção. Muitas vezes, é realizada apenas a drenagem do abscesso, que pode ser espontânea ou de forma cirúrgica, mas apenas essa manobra não é suficiente para eliminar o problema.


Para que o abscesso não retorne mais é necessário tratar o dente cariado que está causando o problema e isso inclui a eliminação da cárie, tratamento do canal do dente (tratamento endodôntico) ou, em determinadas situações mais avançadas, a extração do dente envolvido. Alguns casos podem exigir ainda o tratamento com antibióticos para auxiliar na contenção da infecção disseminada.


O ponto mais importante a ser tratado nesse assunto é a manutenção de uma boa e correta higiene bucal e o acompanhamento regular com o dentista para a identificação precoce de possíveis cáries. Caso haja a identificação de possíveis alterações, com ou sem dor de dente, inchaços faciais, febre sem explicação, é importante consultar o dentista o mais breve possível, para que não exista a possibilidade do desenvolvimento de problemas mais graves e complicados de resolver.


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Dra. Débora Lima Pereira, cirurgiã-dentista formada pela Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ-2011). Possui residência multiprofissional em Estomatologia com ênfase em Oncologia pelo AC Camargo Cancer Center e atualmente cursa o Mestrado em Estomatopatologia na Faculdade de Odontologia de Piracicaba/UNICAMP.

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