Meu filho fala errado e vai começar a ser alfabetizado. E agora?


O fonoaudiólogo é o profissional da saúde especializado no diagnóstico e no tratamento de crianças e adultos, que apresentam “transtornos de comunicação”.


Transtornos de comunicação são problemas que dificultam ou impedem a comunicação normal de um indivíduo com os outros. Esses problemas podem ser: dificuldades na produção dos sons, transtornos de linguagem oral e escrita, problemas de voz, dificuldade para respirar, mastigar e engolir, gagueira e problemas de audição.


Qualquer um destes transtornos de comunicação podem afetar a aprendizagem da criança, independe de sua idade ou série escolar.

Entretanto, a escola não deve se preocupar com seu aluno apenas quando algo em seu aprendizado formal vai mal, pois muitos problemas podem e devem ser evitados antes de se manifestarem por completo. Por exemplo, uma criança que aos 5 anos não consegue desenhar uma cruz ou um círculo, poderá aos 6 anos, não conseguir copiar as letras em seu caderno e, consequentemente, apresentar uma grande dificuldade em ser alfabetizada.


Os problemas de comunicação relacionadas à fala, são mais facilmente observáveis do que qualquer outro. Entretanto, muitos pais acham que a maneira de falar do filho é “bonitinha”, afinal ele só tem 5 aninhos e ainda pode dizer “tacholo” ao invés de cachorro, “tato” ao invés de gato e “xilafa” ao invés de girafa.


Neste caso, é preciso que os pais entendam a necessidade de procurar atendimento especializado para seus filhos, já que aos 5 anos espera-se que a criança já tenha aprendido a falar todos os sons necessários para manter uma conversação normal. Espera-se também que, nesta idade, a criança já tenha abandonado há algum tempo a sucção da chupeta, da mamadeira e do dedo, e que já esteja ingerindo basicamente alimentos sólidos.


Caso os maus hábitos persistam, ou se a criança tiver algum problema respiratório obstrutivo (ex.: desvio de septo nasal, hipertrofia de adenóides ou amígdalas), seus músculos orais (de lábios, língua e bochechas) tenderão a ficar flácidos e se movimentar menos. Isso também poderá acarretar uma fala diferente, com dificuldades de pronúncia em um ou vários sons.


As trocas que uma criança apresenta na fala podem ou não ser transpostas para a escrita. Porém, sabemos que quanto mais demorar a busca por um tratamento fonoaudiológico, maiores as chances do problema se agravar.


Outros problemas de comunicação, que abordaremos nos próximos artigos, também podem interferir no processo de aprendizagem da criança, como alterações de voz, gagueira, dificuldades respiratórias, problemas de audição e de processamento auditivo central.


Vale ressaltar, entretanto, a importância do professor trabalhar com sua turma, no sentido de mostrar que todos nós temos qualidades e defeitos e que ninguém é perfeito. Alguns defeitos são mais visíveis e outros menos. Os problemas de comunicação são defeitos visíveis, mas que podem ser corrigidos. O professor também pode orientar os pais para que procurem atendimento especializado o mais rápido possível, evitando, assim, que a criança sofra constrangimentos maiores ao longo do tempo.


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Taís Ciboto


Fonoaudióloga graduada pela Universidade Federal de São Paulo (1999), Pós-Graduação em Psicopedagogia, Especialista em Fonoaudiologia Educacional e Mestre em Educação pela USP. Atualmente, é professora universitária e coordena o Projeto Saúde & Educação LEIAA (LARES Equipe Interdisciplinar de Apoio à Aprendizagem) - Clínica LARES - Osasco/SP. Tem experiência clínica e docente nas áreas de Fonoaudiologia e Educação, atuando principalmente nas seguintes questões: linguagem escrita e seus transtornos; aquisição e desenvolvimento da aprendizagem e seus transtornos; alfabetização; saúde mental infantil e inclusão escolar. 


Texto originalmente publicado em clinicares.com.br

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