A patologia do polegar de recém- nascidos




Anatomia

O dedo polegar é formado por duas falanges que se articulam através da articulação conhecida como Inter falangeana.

A mobilidade em flexão do polegar (aproximar o polegar da palma da mão, ou seja, fechar o polegar), é determinado pela ação de tendões.

Os tendões são revestidos por uma bainha que permite o adequado deslizamento tendinoso e o movimento suave do polegar sem bloqueios.

Para que a articulação do polegar seja considerada normal, é preciso que o movimento em extensão (esticar) e flexão (dobrar), ocorra livremente e sem resistência ou bloqueio.

Os dedos das mãos de recém nascidos, permanecem em atitude de flexão durante os meses iniciais de vida.

O exame do bebê deve incluir a mobilidade passiva dos dedos, principalmente do polegar onde, algumas vezes, somos surpreendidos com uma contratura em flexão fixa da articulação Inter falangeana do polegar.

Essa deformidade pode passar despercebida, pois como foi dito, os dedos da mão de recém nascidos permanecem em atitude de flexão, principalmente durante os primeiros 3 meses de vida.




O polegar em gatilho:

Trata-se de uma patologia ortopédica, em que a articulação do polegar permanece em atitude de flexão fixa, com impossibilidade de extensão completa.



No exame ortopédico, observamos na palpação da base do polegar, a formação de um nódulo (caroço), endurecido e indolor, na maioria das vezes.

A causa:

É desconhecida, existindo controvérsia na literatura, se é uma patologia congênita ou adquirida.



O que ocorre?

Sabemos que há um estreitamento da bainha do tendão flexor longo do polegar e a formação do nódulo dentro do tendão.

O tendão fica impossibilitado de ter o movimento de deslizamento adequado, bloqueando e dando origem à deformidade fixa, na articulação do polegar.

Como fazer o diagnóstico?

Só pode ser feito com o exame físico da mobilidade dos dedos das mãos das crianças.

Frequentemente, a patologia passa despercebida, nos meses iniciais, pela combinação de fatores:

– Falta de exame físico adequado;

– Manutenção da posição de repouso em flexão dos dedos da mão de recém nascidos.

Muitas vezes, as crianças chegam para avaliação, em uma fase mais tardia porque a família observou dificuldade no manuseio de brinquedos, devido ao bloqueio do movimento do polegar.



Precisa exame complementar de imagem?

Não, o diagnóstico é feito só com o exame clínico ortopédico.

A história natural:

Quando o diagnóstico é feito em recém nascidos, estatísticas revelam que, 30% terão correção espontânea sem tratamento.

Quando o diagnóstico é feito após 6 meses, só 12% terão correção espontânea.

O tratamento:

Quando o diagnóstico é feito abaixo de 1 ano de idade, a atitude é realizar exercícios suaves visando a extensão progressiva do polegar e observação com consultas em intervalos pré-determinados.

Nas crianças acima de 1 ano de idade, o tratamento recomendado é a cirurgia ortopédica.

A cirurgia:

Via de acesso na prega de flexão do polegar, como na foto abaixo.



Liberação do estreitamento da bainha tendinosa do músculo flexor longo do polegar, permitindo a correção da deformidade.



Veja a extensão completa do dedo, obtida no ato operatório.


Conclusões:



Polegar em gatilho tem uma incidência de 1:2000 nascidos.

Deve ser procurado no exame físico das crianças de baixa idade.

Quando não tratado, leva ao prejuízo nos movimentos finos do polegar, podendo inclusive, causar dor às tentativas de extensão forçada do dedo.

O tratamento é bastante eficaz, restabelecendo as funções normais da mão da criança.







Um abraço a todos!



Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

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