A‌ ‌postura‌ ‌da‌ ‌coluna‌ ‌da‌ ‌criança‌



O formato da coluna da criança é uma fonte de preocupação constante. Qualquer anormalidade observada na postura da coluna, quando a criança está sentada ou durante a marcha, gera ansiedade e busca incessante por informação sobre como corrigir este problema.

Não vamos conversar sobre a escoliose, pois já existem diversos artigos publicados neste site sobre o assunto, inclusive, convido aqueles que ainda não leram, a terem uma prazerosa leitura destes artigos.

Vou me concentrar aqui, sobre a postura da coluna torácica em cifose, ou seja, aquela em que a coluna e os ombros se curvam para frente, gerando um aspecto arredondado nas costas da criança.




A ansiedade e preocupação da família, inicialmente, é com a aparência da coluna, visto que, geralmente, não há queixas dolorosas, as atividades são realizadas normalmente, inclusive as esportivas.

Alguns questionamentos precisam ser respondidos como:

– Será que a aparência vai piorar com o crescimento da criança?

– Precisa usar colete para a correção?

– Vai ter dor no futuro?

O ponto de vista ortopédico:



Todos nós temos a conhecida cifose da coluna torácica e, portanto, nossa coluna nesta região tem um leve aspecto arredondado.

A cifose torácica é fisiológica e normal desde que seja leve e flexível.

O que é uma cifose leve?

A aparência das costas é um critério subjetivo, ou seja, o que é acentuado para um familiar, pode ser considerado leve para o profissional de saúde e vice-versa.

Para acabar com essa característica subjetiva, existem os critérios absolutos de medição da cifose, que dependem da realização de exame de imagem.

Com isso, só podemos objetivamente classificar uma cifose torácica da criança como leve, quando as medições das imagem mostrarem valores fisiológicos e o exame físico revelar uma cifose flexível.

Quando suspeitar da cifose patológica?

Quando a cifose e o aspecto arredondado das costas forem progressivos, rígidos e dolorosos.

Conhecida como cifose juvenil, trata-se de uma patologia nas costas da criança ou adolescente, com incidência de 1 a 8% da população e com idades de surgimento variando entre 8 a 12 anos. Existem as formas mais severas, que surgem após 12 anos de idade.

Além do quadro clínico relatado acima, para o diagnóstico da cifose juvenil, precisamos encontrar alterações no formato das vértebras, diminuição do espaço intervertebral e acentuado valor na medição no exame de imagem.



A razão primária para procurar tratamento vem a ser a deformidade e a aparência da coluna.

O tratamento:

Exige exercícios fisioterápicos para reabilitar a postura com alongamento da musculatura peitoral, fortalecimento dos extensores do tronco, alongamento dos músculos posteriores da coxa e flexores do quadril, fortalecimento da musculatura abdominal.

Nos pacientes imaturos esqueleticamente, com cifose juvenil, rígida e progressiva, é necessário associar o uso dos coletes para a completa correção da deformidade, até completarem a maturidade do esqueleto.

Correção cirúrgica só é indicada para deformidades acentuadas em pacientes já maduros

esqueleticamente, com dor refratária e insatisfação com o aspecto corporal.



Conclusões:

É importante diferenciar cifose fisiológica (leve e flexível), daquelas patológicas (rígidas, progressivas e dolorosas).

O tratamento para cada caso é diferente e, quando bem indicado, oferece resultados a longo prazo satisfatórios com a correção da deformidade e analgesia.Obrigado pela atenção.



Obrigado pela atenção.


Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

Av. Armando Lombardi, 1000 – sala 231, bloco 2, Barra da Tijuca | Rio de Janeiro

Telefone para contato: 3264-2232/ 3264-2239




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