Anormalidades na medula espinhal e coluna vertebral das crianças






Disrafismo espinhal

É o termo usado para um grupo de patologias que cursam com aderência da medula espinhal nas estruturas ósseas do canal medular.

Entendendo o problema:

A medula espinhal da criança recém-nascida ocupa toda a extensão do canal medular, ou seja, vai desde a região cervical (pescoço) até a região sacral (final da coluna vertebral).

Com o crescimento ósseo da coluna vertebral, a medula espinhal, que encontra-se livre e sem aderências ao canal medular, vai migrando proximalmente, ou seja, vai ficar localizada em níveis mais altos, deixando de ocupar todo o canal medular, passando a terminar no nível lombar alto (entre a primeira e segunda vértebras lombares – L1-L2).

No disrafismo espinhal, existem anormalidades na medula que fazem com que ela fique aderida às estruturas ósseas vertebrais da região sacral e a migração proximal normal fica impedida de ocorrer.

Essa situação é conhecida como ancoramento medular.

O ancoramento medular:

Com o contínuo crescimento ósseo vertebral, a medula aderida sofre um processo de estiramento progressivo, além de compressão com os movimentos de flexão e extensão do tronco.

Esse mecanismo de estiramento medular promove o surgimento de sintomas neurológicos progressivos nos membros inferiores.

Causas do ancoramento medular:

Lipoma intra-espinhal:

Tumoração benigna de gordura no final da medula, impedindo a migração proximal.

Diastematomielia:

Trata-se de uma divisão da medula espinhal por um septo fibroso ou cartilaginoso também promovendo o ancoramento medular.

Bandas fibrosas entre a medula e a dura-máter.

Aderências após fechamento de mielomeningocele.

Os sintomas apresentados pela criança:

As manifestações caracterizam-se por duas formas:

A síndrome ortopédica:

– Assimetria no tamanho dos pés;

– Deformidade em cavo dos pés, ou seja, surgimento de arco longitudinal medial dos pés exagerado (curvinha do pé aumentada) foto abaixo;




– Deformidade em garra dos dedos dos pés;

Assimetria na circunferência dos membros inferiores (um membro mais fino do que o outro);

– Claudicação (mancar);

– Alterações de sensibilidade dos pés.

A síndrome urológica:

– Infecções urinárias de repetição na infância e incontinência urinária.

Como suspeitar do ancoramento medular?

A suspeita é feita com exame físico da criança.

Anormalidades nas costas da criança que são sugestivos da patologia:

– Presença de “covinha” na pele, na linha média da coluna vertebral, na região sacral (acima da região glútea),] semelhante a um “furinho”, conhecido com o nomenclatura médica de dimple (foto abaixo)


Presença de massas (caroços), de partes moles, na linha média da coluna vertebral;

– Presença de “tufo piloso”, ou seja, um acúmulo exagerado de pêlos na região sacral (hipertricose), logo acima da região glútea (foto abaixo)


– Surgimento de escoliose em criança de baixa idade.

A confirmação:


É feito com exame de imagem da medula espinhal e canal medular.

Ressonância magnética permite visualização do ancoramento e patologias intra-medulares.

As alterações no sistema urinários são evidenciados com exame conhecido como urodinâmico.

A radiografia simples nos dá sinais indiretos da patologia:

Espinha bífida:

Trata-se de um defeito no fechamento no arco posterior vertebral de L5-S1 (foto abaixo);


Ocorre em 20% da população, sem nenhuma repercussão motora

Alterações congênitas vertebrais com hemivértebra, também sugerem alterações medulares.

O tratamento:

É neurocirúrgico com desancoramento medular para impedir a progressão do déficit neurológico.


Ortopedistas e pediatras devem estar atentos a esses sintomas, pois muitas vezes, são os primeiros médicos a examinarem a criança.

“Dimple” sacral ou “furinho na pele”, na região sacral (logo acima da região glútea), nem sempre é sinal de anormalidade na medula espinhal e maior investigação é recomendada quando anormalidades clínicas estiverem presentes.





Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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