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Autismo: Onde e Como tratar?


Dia 02 de abril dia mundial da Conscientização do autismo. Muitos eventos, jornadas, mobilizações no Brasil para desmistificar o autismo e levantar a bandeira de todo suporte a família, crianças e jovens que recebem o diagnóstico de autismo. Conforme o Cid 10 e o DSM IV, caracterizado como transtorno invasivo do comportamento.


Graças aos avanços médicos a perspectiva desenvolvimentista de intervenção precoce o diagnóstico do autismo tem-se tornado possível, a partir dos 18 meses ou até mesmo antes dos 18 meses.


Feitas as identificações, análises clínicas com Neuropediatra, Psiquiatra, Fonoaudiólogo, Terapeuta ocupacional, Psicólogo e Pediatra. Surgem as dúvidas dos pais e responsáveis de qual tratamento e abordagem terapêutica melhor indicada para seus filhos, muitos começam a apostar em diferentes tipos de terapias e em locais variados. Aumentando a angústia da demora dos resultados da linguagem, comunicação, interação, exploração, organização sensorial e socialização.


A criança autista apresenta dificuldades em vários componentes, isto não significa que ela não se comunique, mas que não o faz com objetivos claros e sociais. Ela apresenta um potencial a ser descoberto e desenvolver sua inteligência ao longo das terapias.


Toda criança se comunica principalmente para regular o comportamento dos outros e pode desenvolver para se comunicar comportamentos indesejáveis como a agressão, birra, auto-agressão, estereotipias, movimentos repetitivos de bater as mãos ou “tiques” estranhos. O que lhe falta é a capacidade para chamar a atenção para um objeto, pessoa ou evento específico.


Existem muitas abordagens e modelos que os profissionais buscam qualificar-se para ajudar da melhor maneira a criar estratégias eficazes ao tratamento de seus pacientes com autismo. Mas vale ressaltar que todos se integram para organizar neurologicamente, psiquicamente e sensorialmente e garantir bons resultados no desempenho das rotinas.


Serão listados alguns modelos usados atualmente para o tratamento. Mas o importante é confiar no vínculo estabelecido com o (a) terapeuta e esperar o resultado que não é rápido, e sim um processo que demanda tempo, paciência e estímulo da família e dos que estão próximos em casa e na comunidade em que se vive.


1) Scert: Modelo sociopragmático desenvolvimentista developmental social pragmatic modelo SP, defende que é preciso focalizar a iniciação e na comunicação, seguir o foco de atenção e motivação da criança, fortalecer as habilidades de processamento sensorial como a modulação e a integração sensória motora, desafios perceptuais e motores, atividades de processamento visu espacial, discriminação tátil, brincadeiras com pares.


2) Programa de Klinger e Dawson (1992): Abrange a área de comunicação não verbal, utiliza padrões de interação social inicial.


3) ABA Análise do Comportamento Aplicada, abordagens que ensinam a criança utilizar meios alternativos de comunicação.


4) Teach (Tratment and Education of Autistic and Related): Base visual para aperfeiçoar a linguagem, o aprendizado e reduzir comportamentos inapropriados. Organização do ambiente pelo uso de pistas visuais da criança e o trabalho com base nas habilidades prévias da criança.


5) PEP-R (Pychoeducation profile revised): Criada recentemente para a melhora das dificuldades sociais e um treinamento projetado para aumentar a capacidade de se colocar no ponto de vista do outro.

6) Sistemas de Sinais como o Makaton e o PECs (Picture Exchange communication sytem). Utilizado como forma de estimular a comunicação através de símbolos pictográficos.


7) Modelo Dir (Developmental Individual different Relationship based model): Modelo desenvolvimentista de diferença individual, baseada no relacionamento de Greenspan. Três áreas são focadas: a) Nível funcional, b) padrões motores, sensoriais e afetivos, c) relacionamento e padrões de interação afetiva. Envolve 3 tipos de atividades: interações expontâneas e criativas que ocorrem no chão (Dir Floor –time) visam encorajar a iniciativa da criança e comportamento intencional, aprofundar o engajamento, atenção mútua, desenvolver as capacidades simbólicas através do jogo de faz de conta, o 2º tipo de atividades abrange interações semi estruturadas de solução de problemas para aprender novas habilidades e conceitos ;por fim há atividades de jogo motor, sensorial e espacial para fortalecer as habilidades de processamento sensorial e motricidade.


8) Modelo de Integração Sensorial, desenvolvido pela terapeuta ocupacional Jean Aryes, aplicada pelos terapeutas ocupacionais, auxiliam nos déficts de processamento sensorial com adaptações e apoios ambientais que envolvem técnicas para ajudar o processamento do imput sensorial, mantendo estados ótimos de atenção, ativação e regulação emocional.


Entre outros modelos: ABA naturalista, Padovan, terapias com florais, terapia xamânica...


Aparentemente, não existe uma única abordagem clínica e terapêutica que seja totalmente eficaz para todas as crianças em todas as diferentes etapas da vida. Por outro lado com base na literatura e pesquisa dos mais renomados cientistas a importância da identificação e intervenção precoce e seu relacionamento com o desenvolvimento, além de ter em mente a necessidade de focar-se em toda a família e não somente no indivíduo com transtorno invasivo do desenvolvimento.


O foco no desenvolvimento humano deve valorizar cada vez mais a aprendizagem que cada pessoa tem em assimilar e desenvolver com suas práticas e experiências, assim estaremos colaborando com a construção de saberes por parte do conhecimento e das dimensões humanas envolvidas no processo de aquisição e aprimoramento da cognição, do afeto, da psicomotricidade com suas relações corporais, motoras estabelecidas com o meio, com o outro, com suas crenças, hábitos, culturas e valores familiares e pessoais.


Em todas as abordagens, pais e responsáveis devem esperar o vínculo terapêutico e confiar na inteligência e potencial a ser desenvolvido pela criança e jovem atendido. Lembrando que o corpo e o movimento são elementos relevantes para a socialização e aprendizagem desde os seus primeiros anos de vida. O desenvolvimento motor infantil está vinculado ao corpo, ao movimento e ao desenvolvimento integral do ser humano, podendo ser observado a partir das interações entre nossa biologia e comportamento, as tarefas que realizamos e as condições do ambiente em que vivemos. Favorecer um ambiente calmo, tranqüilo, com poucos estímulos que provoquem uma hiper ou hipo sensibilidade do autista precisa ser avaliadas e repensadas para uma melhor ambientação deste corpo em seu habitat natural.


Concluindo com o pensamento do pesquisador Jean Piaget: “A primeira linguagem que a criança compreende é a linguagem do corpo, a linguagem da ação.” É através do corpo que será estabelecida a primeira comunicação com o autista. Um corpo com ou sem muitos efeitos de medicamentos, um corpo estressado com as mudanças de rotina, com a agitação do ambiente, um corpo que precisa parar para se entender e se permitir fazer parte do mundo.




Jaqueline Mourão, Terapeuta Ocupacional,  graduada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Realizo atendimentos em crianças com sequelas neurológicas, síndrome de Down, autismo e atraso no desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial e dificuldade de aprendizagem que dificulta o desempenho ocupacional na realização das atividades de vida diária. Durante os atendimentos sou adepta a prática da integração sensorial como técnica de estimulação e desenvolvimento do sistema vestibular, proprioceptivo e sensorial como forma de reduzir as sequelas e os estímulos exacerbados do meio. Faço parte do Movimento Pró vida, em defesa dos nascituros, da intra e pós uterina, desde a concepção até o nascimento e desenvolvimento do recêm-nascido. Estou em constante defesa diante de apresentações e exposições orais da inclusão escolar e como a terapia ocupacional pode e deve colaborar e intervir durante o processo de inclusão escolar.

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