Como corrigir o pé equino na paralisia cerebral?




O pé equino com a marcha na ponta dos pés é a deformidade mais comum na paralisia cerebral.

Ocorre devido à hipertonia muscular (espasticidade) com encurtamento dos músculos da panturrilha.

O tratamento inicial é sempre conservador com medidas como fisioterapia motora, órteses, aplicação de Botox na musculatura da panturrilha com ou sem aplicação de gessos sucessivos.

Os casos em que o tratamento conservador não é suficiente para a completa correção da deformidade, serão os candidatos à correção cirúrgica.

Como é formada a musculatura da panturrilha (“batata da perna”)?

A panturrilha é formada por 3 músculos (gêmeo medial, gêmeo lateral e solear) e por isso denominado de tríceps sural.

O tríceps sural é um músculo muito importante para a postura ereta sendo um gerador de força para o impulso da marcha na criança.

Os 3 músculos juntos vão formar um tendão conhecido por todos nós como tendão de Aquiles.

Uma criança com paralisia cerebral anda na ponta dos pés devido ao encurtamento da musculatura da panturrilha, porém, nem sempre os 3 músculos estão encurtados, muitas vezes, apenas um grupo de músculos está curto, direcionando portanto, o tipo de cirurgia a ser realizada.

Existem diversas técnicas operatórias para correção da marcha na ponta dos pés na criança com paralisia cerebral.




Na hora da escolha do procedimento, o cirurgião deve ter em mente vários fatores para que a correção seja eficaz.

São levados em consideração o tipo de paralisia cerebral, ou seja, hemiplegia, diplegia ou tetraplegia, a idade da criança e principalmente o exame físico articular do tornozelo, pés e exame visual e com o laboratório da marcha.

A melhor técnica para cada caso deve ser aquela que promova a melhor correção, sem hiper corrigir e sem o risco de recidivas.


A hipercorreção deve ser evitada a todo custo, pois significa dizer que o alongamento cirúrgico foi excessivo, promovendo o enfraquecimento da panturrilha da criança, levando a um resultado insatisfatório.

Em linhas gerais, a correção cirúrgica pode ser feita com técnica de alongamento tendinoso (onde os 3 músculos são alongados) ou alongamento seletivo da musculatura da panturrilha (onde só o músculo curto é alongado).

Estudos revelam que os fatores de risco para maus resultados cirúrgicos por correção exagerada (hipercorreção) com consequente enfraquecimento da panturrilha, ocorrem pelos seguintes motivos:

– Cirurgia realizada precocemente, sendo que a recomendação é para que as crianças não sejam operadas antes de completarem 6 anos;

– Escolha equivocada da técnica operatória;

– Crianças diplégicas e tetraplégicas;

– Crianças do sexo feminino têm maior risco de hipercorreção, devido à maior frouxidão dos tecidos musculoesqueléticos.

E as recidivas? Quais os fatores de risco?

Ocorre com mais frequência nos hemiplégicos, nos alongamento seletivos da musculatura da panturrilha e nas crianças do sexo masculino.

Conclusões:

A correção cirúrgica da marcha na ponta dos pés na paralisia cerebral oferece excelentes resultados em curto e longo prazo, desde que sejam respeitados os limites de idade para a indicação, a técnica operatória escolhida seja ideal e o acompanhamento pós-operatório seja eficaz.

Conseguimos oferecer grande melhora na marcha com o passo da criança passando a ocorrer de forma fisiológica ou seja, primeiro apoio do calcanhar no solo seguido pelo apoio da planta do pé e por último ponta dos dedos.





Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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