Cuidando dos quadris dos bebês








Um alerta aos pais:

Existe uma grande preocupação na avaliação médica de recém nascidos com relação à anatomia dos quadris.

Por que essa preocupação?

Displasia do quadril é o principal problema congênito do recém nascido, com incidência de 1.4 por 1000 nascimentos.

Trata-se de uma patologia silenciosa e com graves consequências para a vida da criança, se não identificada e tratada precocemente.

O que é a displasia?

É a nomenclatura médica para definir problemas do quadril de recém nascidos, incluindo o quadril instável e o quadril luxado.

Quadril instável:

É aquele que nasce bem posicionado, porém quando fazemos o exame clínico provocativo, percebemos que a articulação sai da sua posição normal. Essa é a manobra provocativa de Barlow positiva.

Quadril luxado, ou seja, luxação congênita do quadril:

É aquele que já nasce fora da posição normal, porém quando fazemos o exame clínico, percebemos que o quadril volta para sua posição. Essa é a manobra conhecida como Ortolani.

Esse retorno para a posição normal é, algumas vezes, percebido pela mãe ao realizar a troca de fralda.

A sensação percebida é de que o quadril estala no momento do manuseio, para a troca da fralda.

Em nenhum momento a criança sente dor.

Portanto, se não for procurado pelo médico que acompanha a criança, o diagnóstico não será feito.

Quais as consequências da falta de diagnóstico?

São graves os problemas.

A criança apresenta limitação nos movimentos do quadril em especial a abertura, encurtamento da perna no lado luxado, começa a caminhar mancando e tardiamente tem dor e degeneração progressiva da articulação com prejuízo na qualidade de vida.

Como vimos, trata-se de uma patologia com várias implicações para o futuro da criança.

É uma patologia que pode não ser percebida pela família, pois não dói no início da vida.

Seu diagnóstico depende exclusivamente de um bom exame clínico na consulta.

Pediatras precisam estar atentos e familiares também, informações a respeito dessas manobras de Barlow e Ortolani devem ser obtidas nas consultas de seus filhos.

O que fazer para ter certeza de que os quadris estão normais?

O assunto é tão importante que vários artigos médicos recomendam programas de triagem rigorosos para a detecção precoce do problema.

A displasia do quadril é de fácil tratamento, quando diagnosticado precocemente e com graves consequências se não tratado adequadamente.

O diagnóstico tardio implica em necessidade de internação hospitalar, reposicionamento da articulação com a criança anestesiada no centro cirúrgico e imobilização gessada por longo período ou, dependendo da idade, tratamento cirúrgico imediato.

São cirurgias de grande porte para crianças de baixa idade.

O programa de triagem ideal:

Todos os bebês precisam de exame clínico ortopédico, logo que nascem.

As manobras provocativas de Barlow e Ortolani devem ser feitos por ortopedista pediátrico experiente, para evitar erros de interpretação.

Esses equívocos levam a dois problemas:

– Excesso de tratamento em crianças que têm quadris normais ou o pior de todos: não tratar o quadril que precisa porque o médico interpretou o exame clínico inadequadamente.

Com objetivo de evitar esses equívocos, alguns artigos sugerem que todos os bebês façam, além do exame clínico, o exame de imagem de ultrassonografia dos quadris de rotina.

Trata-se de um exame de imagem indolor, de fácil execução e que permite estudar o quadril de forma dinâmica, além de ser de baixo custo.

Os resultados da implantação deste protocolo geraram problemas, pois a ultrassonografia é examinadora dependente, ou seja, precisa de profissional treinado para esse fim.

Na prática, a ultrassonografia universal gerou um excesso de exames falso positivos e excesso de tratamento em crianças que tinham os quadris normais.

Portanto ultrassonografia não deve ser feito de rotina em todos os recém nascidos.

É preciso um motivo para a realização do exame.

Conclusões:

Todos os recém nascidos precisam ter seus quadris avaliados por ortopedista pediátrico.

Manobras provocativas devem ser feitas para o diagnóstico precoce de problemas.

A ultrassonografia não deve ser usada de rotina para o diagnóstico.

O exame clínico deve ser universal, com ultrassonografia seletiva para casos com exame clínico duvidoso e/ou com fatores de risco para a patologia.

Uma vez com exame clínico anormal, a crianças precisam ser tratadas.

O tratamento é de fácil execução e oferece excelentes resultados se acompanhado adequadamente.

A ultrassonografia é o exame de escolha para acompanhar o tratamento.

Todos os esforços devem ser feitos para tranquilizar as famílias quanto à saúde do quadril de seus filhos.





Um abraço a todos!



Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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