Escoliose congênita: o sucesso do tratamento.



O que é?

Trata-se de um desvio lateral da coluna das crianças que ocorre devido à malformação vertebral durante as fases de desenvolvimento embrionário.

A escoliose ocorre por um defeito na anatomia da vértebra.

Os defeitos vertebrais podem ser classificados em 3 tipos:

Falha de formação, também conhecido como hemivértebra:



Caracteriza-se pela presença de metade de um corpo vertebral em uma região da coluna. Esta metade do corpo vertebral existente, faz com que o crescimento da coluna seja assimétrico, dando origem a um desvio lateral progressivo da coluna, durante o crescimento vertebral.

Falha de segmentação, também conhecido como barra não segmentada:


Neste tipo de defeito, as vértebras nascem unidas em um dos lados, fazendo com que o crescimento vertebral neste lado unido, não ocorra, enquanto que o lado contralateral cresce normalmente, dando origem à deformidade vertebral.

Defeito misto, ou seja, uma combinação de hemivértebra com barra óssea não segmentada.


O crescimento longitudinal normal vertebral, ocorre de forma simétrica, fazendo com que a coluna cresça de uma forma reta, sem desvios laterais.

A presença de defeitos congênitos nas vértebras, interfere no crescimento normal longitudinal, dando origem a um crescimento assimétrico e desenvolvimento de desvios na coluna vertebral, chamados de escoliose.


As malformações vertebrais podem ocorrer em qualquer segmento da coluna, ou seja, desde a junção cervicotorácica (logo abaixo do pescoço), até a coluna torácica, toracolombar ou lombar.

Como suspeitar que meu filho/a tem escoliose congênita?



A suspeita geralmente ocorre precocemente, durante os primeiros dois anos de vida, que coincide com a primeira fase de crescimento acelerado da coluna vertebral das crianças.

São observados, na dependência do local da coluna acometido, as seguintes alterações:

– Inclinação lateral da cabeça (torcicolo), quando o local acometido é na junção cervicotorácica, ou seja, logo abaixo do pescoço;

– Assimetria na altura dos ombros;


– Desvio do tronco;




– Desvio na bacia (pelve), também referido com desvio na cintura da criança;

– Encurtamento aparente dos membros inferiores, devido ao desnível na bacia, principalmente nas curvas lombares.

A confirmação diagnóstica:

Exige exame radiológico panorâmico da coluna vertebral.



São encontrados além do evidente defeito vertebral, curvas de raio curto, podendo ou não ser compensadas por curvas secundárias localizadas em regiões de vértebras normais.

O tratamento:

O principal fator determinante para o sucesso do tratamento é o diagnóstico precoce, com curvas de baixo valor angular.

Como estamos falando de deformidades progressivas, o tratamento ideal é aquele que permite precocemente impedir a piora da curva.

Não há espaço para o tratamento primário da escoliose congênita com coletes.

O colete nunca é uma alternativa à cirurgia, porque não corrige ou impede a progressão de curvas rígidas e também não permite o crescimento do lado da coluna que não está crescendo devido a malformação vertebral.

O tratamento primário das curvas progressivas é cirúrgico:

Existem diversas opções quanto a cirurgia, que vão depender do grau de curva, do tipo de defeito encontrado, da velocidade de progressão e da idade da criança, sendo as principais:

– Artrodese in situ (principalmente para a barra não segmentada);

– Hemiepifisiodese ou hemi artrodese (curvas de baixo valor em crianças jovens com hemivértebra);




– Ressecção de hemivértebra, principalmente para hemivértebra na junção lombossacra;



– Osteotomia vertebral com artrodese e instrumentação.


Conclusões:


O princípio do tratamento da escoliose congênita é o de que é mais fácil prevenir a deformidade do que corrigir uma acentuada curva.

É sempre melhor estabilizar a curva quando ela é pequena e prevenir sua piora do que permitir sua progressão e decidir corrigir a deformidade quando a criança estiver maior.




Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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