Infecção em ossos e articulações




O que precisamos saber sobre isso?

As crianças ao nascerem apresentam baixa imunidade (imaturidade do sistema de defesa do organismo). Ao serem expostas aos microrganismos vão apresentando os quadros infecciosos conhecidos por todos nós. São quando surgem as viroses respiratórias (resfriados), as infecções bacterianas como: amigdalites, sinusites, otites, pneumonia, infecção urinária, etc. Nas viroses, o tratamento é sintomático e, nas bacterianas, o tratamento é com antibióticos, sempre prescrito pelo pediatra, e as famílias começam a conhecer esses termos e sintomas.

Tudo isso é comum na infância. O que muita gente não sabe é que ossos e articulações também são órgãos que podem apresentar infecções, conhecidas por nós como osteomielite (quando ocorre nos ossos) e artrite séptica (quando ocorre nas articulações).

Existem fatores que favorecem infecções osteoarticulares que são:

Crianças prematuras, baixo peso, permanência em UTI neonatal, desnutrição, porém, nem sempre há fator de risco e mesmo assim a criança pode ter infecção esquelética. Normalmente, as infecções são precedidas de trauma local e dias após surgem sintomas sugestivos, ou então surgem após um quadro infeccioso em outro local que foi adequadamente tratado com antibióticos e alguns dias depois, surgem queixas esqueléticas.

Como posso suspeitar que meu filho tem infecção esquelética?

Osteomielite (infecção óssea)

As formas mais comuns são as agudas e as subagudas:

Agudas

Dor forte no segmento envolvido, febre alta, rigidez ou limitação na mobilidade da articulação mais próxima ao osso envolvido, podendo inclusive impedir a criança de caminhar.

Há sinais inflamatórios locais (vermelhidão, inchaço, calor local). Esse é o quadro típico que, quando avaliado adequadamente com exame físico, laboratório e imagem, é de fácil diagnóstico médico.

Lembre que no início do quadro a radiografia é normal e isso não afasta a hipótese. O diagnóstico é clínico e laboratorial no início da patologia.

Subagudas

São de difícil diagnóstico, muitas vezes não reconhecidas até pelos médicos menos experientes e frequentemente só são descobertas em estágios mais tardios.

Os sintomas são imprecisos. Não há febre nem perda de apetite, o estado geral da criança permanece normal e as atividades também.

A única coisa que chama atenção é a dor no local acometido, que se for nos membros inferiores, se manifesta com claudicação (mancar) e dor a palpação local. Se for na coluna (chamada por nós de discite), há dificuldade em ficar na posição sentada ou de pé e até mesmo dor abdominal de causa desconhecida.

A investigação depende de alto grau de suspeita do médico assistente. Exames de laboratório e de imagem são fundamentais para a conclusão diagnóstica. Faz diagnóstico diferencial com tumores ósseos.

Artrite séptica (infecção articular)

As articulações que são mais acometidas são: quadril, joelho e ombro.

Como se manifestam?

São quadros agudos, com dor de forte intensidade, inchaço, sinais inflamatórios (vermelhidão, aumento de temperatura local), impossibilidade de movimentar a articulação (bloqueio articular) e de caminhar. Acompanhado também de febre. O diagnóstico é clínico e exames de laboratório, imagem (raio X e ultrassonografia), são complementares para confirmar a suspeita.

Como é feito o tratamento?

Osteomielite aguda e artrite séptica são urgências ortopédicas. O início imediato do tratamento é fundamental para o bom resultado.

Na osteomielite, dependendo do tempo de evolução, o tratamento pode ser feito com antibióticos específicos, sempre por via endovenosa e com a criança em ambiente hospitalar, ou, nos casos em que houve demora para o diagnóstico, o tratamento exige cirurgia de urgência para limpeza do osso infectado (drenagem da osteomielite), acompanhada de administração de antibióticos com a criança internada.

A artrite séptica é sempre cirúrgica, e quanto mais cedo melhor. A cirurgia visa limpeza articular, permite colher material para identificar a bactéria causadora e o antibiótico eficaz para o tratamento. A criança permanece internada para antibiótico endovenoso.

As osteomielites subagudas são tratadas com antibióticos, sempre iniciando com via endovenosa e depois complementada por via oral até concluir o tempo total de tratamento. A cirurgia fica reservada para casos onde o antibiótico não foi eficaz ou quando há dúvida diagnóstica, sendo a biópsia fundamental para estabelecer o diagnóstico definitivo.

As infecções musculoesqueléticas sempre são casos graves que precisam de diagnóstico e tratamento precoces para garantir um bom resultado. Sequelas existem, sendo as mais comuns, lesão nas regiões de crescimento dos ossos, resultando em encurtamento do osso envolvido bem como deformidades progressivas que exigirão tratamento e acompanhamentos por longo prazo.




Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.


Consultório: Barra Life

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