Instabilidade patelar na Síndrome de Down






Muitas vezes, o exame físico dos joelhos da criança com síndrome de down é negligenciado nas avaliações médicas. Porém, a articulação femoropatelar (formada pela patela e pelo fêmur) deve ser examinada clinicamente, pois frequentemente apresenta instabilidade.

Esta condição instável ocorre quando a patela (osso frontal do joelho) sai e volta para sua posição habitual durante a movimentação do joelho. Esta instabilidade patelar é a principal patologia dos joelhos na Síndrome de Down.


Os fatores que predispõe a instabilidade são:


– Frouxidão ligamentar;

– Hipotonia muscular;

– Hipermobilidade articular.

Não são todas as crianças com Síndrome de Down que têm a instabilidade patelar. As alterações anatômicas associadas são os fatores secundários que, quando presentes, fazem com que a patela fique instável.



Que fatores são esses?


– Deformidade em valgo acentuado dos joelhos (batendo um contra o outro durante a marcha);

– Inserção lateral anômala do tendão patelar (esse é o tendão, abaixo da patela que, normalmente fica inserido na frente e no centro da tíbia);

– Desvio rotacional femoral e/ou tibial.

Geralmente, a instabilidade patelar só chama a atenção dos familiares após o início da marcha independente da criança. As queixas apresentadas são de que o osso da frente dos joelhos sai e volta para o lugar quando a criança dobra e estica o joelho.

No início da vida, a maioria das crianças não apresenta dor, limitação na mobilidade articular ou qualquer queixa relacionada à instabilidade patelar. Quando não tratada, a história natural revela que as queixas surgem e que ocorre prejuízo funcional.

A cada episódio de deslocamento da patela, a cartilagem de revestimento do osso, sofre microlesões, que vão predispor osteoartrite degenerativa precoce articular, surgimento de dor na frente do joelho, derrame articular de repetição, limitação da mobilidade, quedas frequentes, bem como mancar, e diminuição das distâncias caminhadas.

Durante a evolução dos casos não tratados observamos a piora articular e, o que inicialmente era instabilidade (o osso sair e voltar para o lugar normal), com o tempo, se torna luxação da patela – que pode ficar fora do lugar. Isso irá prejudicar ainda mais sua função.



Por que as crianças com instabilidade patelar apresentam quedas frequentes?



O músculo da coxa chamado quadríceps é muito importante na realização do movimento de extensão do joelho (posição necessária para ficarmos em pé). A patela é um osso localizado entre os tendões quadríceps e tendão patelar. Para que o músculo da coxa tenha sua força normal, é preciso que a articulação da patela esteja estável, possibilitando que o joelho se estique através da força muscular da coxa.

Quando a patela sai do lugar habitual devido à instabilidade, a força do quadríceps diminui. Com isso, a criança não consegue esticar completamente o joelho para caminhar, tendo a sensação de falseio e caindo repetidas vezes por essa insuficiência muscular do quadríceps.


Como tratar?


Instabilidade patelar é uma patologia de tratamento cirúrgico ortopédico, pois o tratamento conservador não oferece resultados satisfatórios em estabilizar a articulação.

Tentativas no uso de órteses estabilizadoras da patela e fisioterapia, de forma isolada, não permitem que a articulação fique estável.



Como é feito o procedimento de estabilização articular?


A cirurgia visa reequilibrar as forças musculares que atuam na patela.

Existem diversas técnicas operatórias descritas para a instabilidade patelar em crianças com Síndrome de Down.

Realiza-se uma liberação das estruturas musculares que puxam a patela lateralmente e retensionamos as estruturas mediais, permitindo que durante a flexão e extensão, o osso não saia mais do lugar normal.

Agora, a cada movimento de flexão e extensão do joelho, a patela permanece na sua posição normal, ou seja, não tem mais a instabilidade.



Conclusões:



– A instabilidade patelar na Síndrome de Down é uma patologia cujo tratamento é desafiador;

– A correção só é obtida com a cirurgia ortopédica;

– Resultados satisfatórios são obtidos, permitindo a normalização articular e da marcha da criança.



Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

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