Jovens com limitação física podem praticar esporte?






A prática esportiva é muito importante independente do tipo de limitação física. Cadeirantes, amputados, pessoas com paralisia cerebral, mielomeningocele, nanismo, síndrome de down, deficientes visuais, todos são aptos para prática de esportes organizados.

Alguns benefícios que o esporte traz:

– Resgate da autoestima;

– Melhora do condicionamento físico e da saúde como um todo.

– Socialização e inclusão com sua comunidade.

São vários os esportes que podem e devem ser praticados. Com alguns ajustes nas regras, uma pessoa com limitação física pode praticá-los nas mesmas condições. Como por exemplo, a permissão de cadeira de rodas para a prática de basquete.

Jogos Paraolímpicos: onde tudo começou




As modalidades esportivas paraolímpicas são variadas : atletismo, basquete, futebol, tênis de mesa para cadeirantes, natação, remo, vôlei sentado, entre outros. São muitas as opções. Motivação, treinamento e oportunidade são tudo que nossos jovens com alguma deficiência precisam.




Em 1960 houve a primeira Olimpíada para paraplégicos (Paralimpíada), nos Jogos Olímpicos de Roma. Desde então, as paraolimpíadas vêm sendo realizadas de 4 em 4 anos no mesmo local da Olimpíadas. O movimento paralímpico cresceu muito no mundo todo, inclusive no Brasil, o que deu muita motivação para os jovens que possuíam algum tipo de deficiência física um dia se tornarem atletas paralímpicos e defenderem seu país em competições oficiais. Hoje em dia, com as inovações tecnológicas nas próteses para amputados e cadeira de rodas especiais, permitem que estes jovens participem dos esportes.

O país precisa melhorar muito em permitir o acesso à essa tecnologia aos nossos jovens. Infelizmente, ainda não é uma realidade universal para os brasileiros e ainda está longe disso!

Antes de iniciar a prática esportiva organizada, é necessário avaliação médica, levando-se em consideração a deficiência em questão e os fatores de risco para cada grupo.

Para começar a modalidade esportiva escolhida é necessário um condicionamento físico mínimo, capaz de prevenir lesões e adequar o corpo ao esporte.

Recursos humanos e estrutura física:



Professores de educação física qualificados são fundamentais nesse ponto e academias preparadas para receber essa clientela também. Um aluno com necessidades especiais não pode ser recebido numa academia com apreensão por parte do professor de educação física e nem ser discriminado por parte dos outros alunos.

A inclusão de todos no mesmo ambiente é fundamental. Esse é um ponto que precisa ser mais explorado. Percebo que as academias ainda não realizaram ajustes no espaço físico que permitam acessibilidade, por exemplo, para cadeirantes.

Poucas têm rampas de acesso, espaço adequado entre os aparelhos para circulação de pessoas, barras nas paredes – que auxiliem o jovem deficiente no equilíbrio para a realização do exercício.

Afinal de contas, por que um jovem cadeirante não pode fazer fortalecimento de membros superiores numa academia convencional? Inclusão Social é exatamente isso.

A convivência de jovens com deficiência física com aqueles que não a possuem, na academia, unidos pelo gosto ao esporte, seria uma ótima oportunidade de inclusão social e diminuição do preconceito.

A intensidade do treinamento deve ser sempre monitorada e individualizada, porque a deficiência determina um menor limiar entre o eficaz e o excesso de treino. Em linhas gerais, os treinos devem ser de menor intensidade e sempre intercalados com um ou dois dias de descanso. Treinos de força, flexibilidade e exercícios aeróbicos devem ser ministrados por profissional capacitado.

Prevenção

Alguns cuidados devem ser tomados :

Cadeirantes, que são propensos à úlceras na região pélvica e sacro, devido ao posicionamento sentado por muito tempo para o esporte, realizando hiperpressão na pele e maceração pela sudorese, devem ter acolchoamento adequado da cadeira e uso de roupas que absorvam o suor diminuindo esses problemas.

– Pessoas com Síndrome de Down devem antes de iniciar prática regular de esportes, ter uma completa avaliação cardiológica, pois têm risco de patologias congênitas que limitam o esforço, além de precisarem avaliar coluna cervical devido ao risco de instabilidade atlanto-axial que impedem a prática de esportes de contato físico (risco de lesão medular com trauma de baixa intensidade).

– Aqueles com Paralisia Cerebral apresentam risco para crises convulsivas induzidas por esforço físico. Avaliação neurológica prévia é fundamental para a prática segura. Sabemos que o esforço físico induz a baixa de glicose do sangue, aumento da temperatura corporal que são fatores de risco conhecidos para crises convulsivas.


Futuro:

– Todos os profissionais de saúde envolvidos na reabilitação, como Médicos, Fisioterapeutas, Professores de Educação Física, entre outros, devem incluir no tratamento a prática de atividade física regular para portadores de necessidades especiais:

– Melhoria na acessibilidade de nossas academias;

– Desenvolvimento de centros de treinamento que incluam todos os praticantes de esporte no mesmo ambiente, sem discriminação física;

– Avanços tecnológicos nas próteses para amputados, cadeiras de rodas especiais para o esporte com acesso universal da população ;

– Investimento na formação de profissionais que ministram o treinamento para os atletas especiais;

O esporte pode e deve ser usado como um instrumento de saúde, bem como de inclusão social, motivação e até fonte de renda para aqueles que se destacam na modalidade escolhida e se tornam atletas competitivos paraolímpicos.




Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.


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