O pé da bailarina



A prática de ballet clássico é muito comum entre crianças e adolescentes. Envolve uma série de movimentos articulares para garantir uma boa performance artística, que não são realizados na rotina diária do jovem praticante, seja ele menino ou menina. Sim, para quem desconhece, nas academias de ballet, também encontramos meninos praticando, embora em quantidade muito menor em relação às meninas.


A realização de movimentos repetitivos extremos, submetem os membros inferiores e coluna vertebral à sobrecarga mecânica que pode predispor às lesões.

As lesões que ocorrem no/a jovem praticante diferem daquelas encontradas nos adultos e, por isso, diversos estudos publicados alertam para essas diferenças.

A incidência de lesões está diretamente relacionada ao número de horas de dança praticado por semana. Sendo maior nos períodos de intenso treinamento, que antecedem as apresentações artísticas. As lesões podem ser de duas naturezas: as traumáticas ou as por esforço repetitivo. Estudos revelam que as lesões por esforço repetitivo são as mais freqüentes do que as traumáticas, na faixa etária maior ou igual a 11 anos.

O local mais comum de lesão é o pé e o tornozelo.

Nas meninas, pé, tornozelo e joelho têm igual incidência de lesão, principalmente, na faixa etária dos 11 aos 14 anos. Lesões que ocorrem em crianças abaixo de 10 anos, não têm significado estatístico pois não são frequentes, o que reflete a menor complexidade de movimentos realizados pela criança, nesta fase da vida. Com relação às lesões de origem traumática, a mais frequente é a entorse (lesão ligamentar) de tornozelo e pé.



As lesões por esforço repetitivo mais comuns são as tendinites/tenossinovites (inflamação em tendões e na sua bainha de revestimento), principalmente no tendão de Aquiles, fascite plantar e tendão flexor longo do hálux (dedão do pé).

Devemos ressaltar que fraturas por movimentos repetitivos (stress nos pés são comuns, levam à dor no mediopé e antepé, de início insidioso, mais comum nas adolescentes, devido à sobrecarga a que esses ossos são submetidos durante as realização da dança na ponta do pé.

Conclusões:

A incidência de lesão é a mesma para ambos os sexos e tende a aumentar com o avançar da idade do jovem. A maioria das lesões são por esforço repetitivo e nos membros inferiores (tornozelo e pé), sendo as tendinites, as mais comuns. A lesão traumática mais comum é a entorse de tornozelo.


Esses resultados chamam a atenção para a necessidade de programas de prevenção de lesões para as bailarinas, à medida que evoluem dentro da prática da modalidade esportiva, entre os quais:

  • Intensidade ideal dos treinamentos, respeitando os limites do corpo;

  • Permitir o período regenerativo do corpo, para recuperação musculoesquelética;

  • Dar importância à técnica de execução dos movimentos;

  • Foco na rotina de manutenção da flexibilidade e força nos membros inferiores;

  • Nunca esquecer de utilizar os equipamentos adequados (sapatilhas com acolchoamento interno) e proteção para tornozelos.



Obrigado pela atenção.


Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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