O que é Pé Torto Congênito?









Deformidade vista no recém-nascido que se caracteriza pelo pé virado para dentro e para baixo (equinovaro), rígido, sendo difícil colocá-lo na posição normal com a manipulação. Pode ser uni ou bilateral. A panturrilha (batata da perna) é mais fina no lado envolvido.

Frequentemente, durante o pré-natal, a deformidade é vista na ultrassonografia. Assim, os pais já vão se preparando e se informando sobre os melhores profissionais capazes de realizar o tratamento adequado.

Quando a deformidade só é descoberta no nascimento, os pais ficam muito preocupados e, às vezes, têm dificuldade em encontrar profissionais preparados para o tratamento.





PERGUNTAS FREQUENTES

“O que fazer quando meu filho nasce com pé torto congênito?”

Primeiro quero deixar bem claro que, com o tratamento adequado, os pés serão completamente corrigidos.

As crianças devem ser tratadas por um profissional capacitado para essa patologia. Não deixem seus filhos serem tratados por ortopedista generalista, que trata de adulto e só eventualmente atendem criança.

“Por que meu filho nasceu com o pé assim?”

A causa é desconhecida, apesar de existirem algumas teorias, nenhuma consegue explicar completamente a deformidade. Sabemos que história familiar é um fator de risco importante.

“Meu filho vai sentir dor a cada manipulação?”

Não, desde que sejam respeitadas as técnicas de correção suave e delicada do pé, nunca corrigindo abruptamente aquelas deformidades rígidas. A correção é sempre progressiva, passo a passo.

“O gesso não é muito pesado para o recém-nascido?”

Não, a técnica recomenda que os gessos sejam bem modelados e com camadas apenas suficientes para manter a correção, não precisa ser muito grosso.

TRATAMENTO

O tratamento deve ser iniciado nos primeiros dias de vida, de preferência na primeira semana, e é feito com manipulações suaves dos pés e com gessos sucessivos para manter a posição após a manipulação.

Os gessos devem ser feitos pelo médico que vai tratar do caso. Parece óbvio, mas não é. Cada vez mais vejo casos onde os gessos são feitos pelo técnico de imobilização gessada e não pelo médico. Tudo isso porque o procedimento é delicado, leva tempo e o médico não quer perder esse tempo a cada troca de gesso.

Cuidado: Vejo muitas famílias me dizendo que o técnico machucou a perna da criança com a serra para retirada do gesso. Não podemos admitir isso. Os gessos são sempre altos (da coxa até os pés), como na foto.

As trocas são feitas semanalmente, até a correção completa da frente do pé. Geralmente são 6 a 8 semanas de trocas até a correção da frente do pé ser obtida.






“Cirurgia? Não tem outra opção?”

Infelizmente não. Os gessos não corrigem a posição da parte de trás do pé, que se mantém para baixo (equino) e a cirurgia é uma etapa fundamental no tratamento.

“Quando a cirurgia deve ser feita?”

Geralmente após o oitavo gesso, ou quando a parte da frente do pé estiver completamente corrigida. Trata-se de uma pequena cirurgia no tendão de Aquiles para correção da parte de trás do pé (equino). Técnica percutânea, com a criança anestesiada em centro cirúrgico e internação de 24 horas. Técnica de Ponseti, a mais moderna e utilizada em todos os grandes centros médicos do mundo. O gesso pós-operatório é mantido por 3 semanas.

“Meu filho vai precisar usar algum aparelho após a retirada do gesso?”

Após a correção completa, a manutenção é feita com órtese. Essa é uma etapa fundamental no tratamento. A órtese (aparelho) deve ser usada durante 3 meses, de dia e à noite – só sendo retirada para banho. Posteriormente será usado só à noite. A não utilização adequada do aparelho implica em recidiva das deformidades, exigindo reiniciar o tratamento.




ASPECTOS IMPORTANTES

O ideal é que os pés estejam corrigidos antes que a criança complete um ano de idade, quando ela já está começando a marcha, sendo importante já ter seu pé endireitado.

O objetivo final é obter pés plantígrados, móveis, sem dor e bem adaptados aos calçados.

Uma vez corrigidos adequadamente, serão acompanhados durante todo o crescimento, pois podem ocorrer pequenas recidivas, necessitando de tratamento complementar.

Alguns pés com recidivas dinâmicas, durante a marcha, se beneficiarão de transferências tendinosas.

Cirurgias mais extensas serão necessárias para aqueles casos de apresentação tardia, onde acessos cirúrgicos mais amplos serão a única forma de conseguir correção completa.

Cirurgias ósseas (conhecidas como osteotomias) serão necessárias para casos inveterados, ou seja, casos graves e sem tratamento.

Uma boa avaliação médica especializada será necessária para determinar as indicações adequadas, bem como as idades ideais para cada procedimento citado.

O tratamento é longo, exige paciência por parte da família e do médico assistente. É um trabalho artesanal na hora do gesso e oferece resultados recompensadores. Fiquem tranquilos!




Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

Av. Armando Lombardi, 1000 – sala 231, bloco 2, Barra da Tijuca | Rio de Janeiro

Telefone para contato: 3264-2232/ 3264-2239



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