Ortopedia pediátrica sem excessos.


Hoje o assunto é para você pai ou mãe que, com toda razão, se preocupa com a saúde ortopédica dos seus filhos e, logo no início da vida, mais precisamente quando a criança começa a caminhar, percebem as pernas tortas, pisada para dentro, pés planos, quedas frequentes e desequilíbrio.

Os vizinhos falam das pernas tortas dos seus filhos, a professora da escola fala que a criança tem pés planos e cai muito, os avós pressionam para que levem a criança para o médico e assim sucessivamente. Muitos usam como justificativa que na época deles, usaram vários aparelhos corretivos, entre os quais, liderando o ranking de utilização, nós temos as botas ortopédicas, os aparelhos noturnos com dobradiças corretivas para as pernas, as faixas elásticas anti rotatórias para os membros inferiores e os gessos sucessivos corretivos nas pernas, para desentortar progressivamente.

E agora o que fazer?

Vamos seguir a orientação dos mais velhos, não é?

Afinal de contas é a voz da experiência que está falando e, todos nós precisamos de uma orientação sobre o que está acontecendo com a criança.



Vamos pensar juntos:

Quantos de vocês, que estão lendo este artigo, usaram na infância as chamadas botas ortopédicas?

Tenho certeza que muitos irão se identificar.

E o que falar dos aparelhos noturnos (órteses), feitos de plástico resistente, com dobradiças para correção de pernas tortas?

E as palmilhas para correção de pés planos? Frequentemente, vejo relatos de crianças que passam a infância toda usando palmilhas.

Precisamos fazer uma reflexão!



Será que ao longo dos anos a medicina não evoluiu?

Ainda é frequente encontrarmos na rua, na escola, no clube, crianças usando botas ortopédicas?

Será que toda perna torta, seja para dentro (geno valgo) ou para fora (geno varo/ pernas arqueadas), sempre é uma doença que precisa de algum aparelho?

E o pé plano, também conhecido como pé chato, sempre é uma doença do pé ou, existe uma fase em que ter pés planos é considerado normal?

A importância da consulta médica com profissional capacitado e atualizado:


Vamos às respostas:

Sim, a medicina evoluiu.

No passado, estamos falando de 40/50 anos atrás, ninguém conhecia a história natural do alinhamento das pernas das crianças, então, ter perna torta, seja para dentro ou para fora, independente da idade da criança ou do grau da deformidade, era considerado doença e a conduta universal e indiscriminada era: “O líder do ranking”, as botas ortopédicas.

Quando a criança tinha os pés planos, associado ou não, as pernas tortas, mais um motivo para passar as famosas botas ortopédicas.

Havia um excesso de tratamento, por completo desconhecimento da fisiologia dos membros inferiores, pés e marcha das crianças.


Isso gerou uma cultura na população de que sempre achar que a criança precisa de algum aparelho para alguma coisa.

Cabe ao profissional de saúde explicar claramente para os familiares o que hoje nós sabemos sobre o alinhamento normal das pernas e pés das crianças, ou seja, na dependência das idade existem deformidades leves que são consideradas normais, próprias das idades e, portanto, não devem ser tratadas com aparelhos, pois têm evolução para correção espontânea, respeitando os critérios médicos para cada caso.



Estamos falando do geno varo fisiológico, geno valgo fisiológico e dos pés planos fisiológicos.

Quando falo deformidades que são próprias do início da marcha, estou querendo dizer que, mais importante do que prescrever aparelhos, seria fazer o correto diagnóstico e acompanhamento, determinando as idades próprias para a correção espontânea e apontando os motivos que justificariam alguma forma de tratamento, nunca tratando o que é normal para a idade.

Não devemos nunca cometer excessos de tratamento, nem ceder às pressões de familiares e prescrever qualquer aparelho sem a menor indicação para tratamento de deformidades normais e próprias da idade.

Afinal de contas, o que é normal, não precisa ser tratado.

Nosso papel, na maioria das vezes é o de explicar, criar um vínculo de confiança com a família e de comprometimento com o acompanhamento da criança. Isso exige tempo na consulta e exame físico detalhado. Isso acaba sendo muito mais importante do que olhar a criança rapidamente, conversar pouco com a família e, rapidamente, passar um aparelho ou palmilha que deverão ser renovados semestralmente.


Uma vez identificadas aquelas crianças cuja história natural não está dentro do esperado, essas sim, deverão iniciar seu tratamento pois, somente nesses casos, que são menos frequentes, o tratamento efetivo é necessário. Mesmo assim, nunca será feito com botas ortopédicas ou órteses noturnas, pois já foram abolidos do arsenal ortopédico após divulgação de estudos científicos confirmarem sua ineficácia completa para qualquer patologia.

A mensagem é:


Vamos evitar os excessos de tratamento! O uso indiscriminado de palmilhas e aparelhos noturnos para pés planos e pernas tortas é um erro que deve ser evitado.

Não precisamos tratar o que é normal e próprio da idade da criança, ou seja, geno varo, geno valgo e pés planos fisiológicos.

Botas ortopédicas nunca mais, são artigo de museu, vamos parar com essa conversa! Foram abolidas e proibidas o seu uso. Se algum médico mencionar o seu uso, por favor, saiam correndo desta consulta!

Ouçam opiniões de profissionais competentes sobre o assunto, observem a consulta e entendam os argumentos usados pelo profissional. Isso é o mais importante de tudo!

Não deixem cometerem excessos de tratamento para deformidades próprias da idade.




Obrigado pela atenção.


Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

Av. Armando Lombardi, 1000 – sala 231, bloco 2, Barra da Tijuca | Rio de Janeiro

Telefone para contato: 3264-2232/ 3264-2239




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