Pé torto congênito: diagnóstico pré-natal e o aconselhamento



O pé torto congênito tem uma prevalência de 1 a 3 casos a cada 1000 crianças nascidas.

Com a evolução tecnológica nas imagens fornecidas na ultrassonografia durante a gestação, tem aumentado o número de diagnósticos da deformidade ainda na vida intra-uterina.

Com o diagnóstico pré-natal, é dado aos pais a oportunidade de encontrarem informações sobre a patologia e seu tratamento, antes do bebê nascer.

Para isso, é muito importante a conscientização dos profissionais envolvidos na gestação (obstetras especializados em medicina fetal) e cirurgiões ortopedistas pediátricos realizarem um programa de aconselhamento aos pais com informações sobre o real significado das imagens ultrassonográficas da deformidade e suas implicações no prognóstico e tratamento da criança.



Durante o aconselhamento, os pais terão muitos questionamentos que devem ser respondidos pelos profissionais de saúde, como por exemplo:

– O diagnóstico da ultrassonografia pode estar equivocado?

– Os pés ficarão normais com o tratamento?

– Qual a forma de tratamento existente?

– Precisa de cirurgia para a correção completa?

– A criança vai caminhar normalmente?




A ultrassonografia feita durante a gestação é capaz de fornecer informações sobre a existência do pé torto congênito que pode ser de forma isolada, ou seja, a única má lformação encontrada no feto ou, ser uma deformidade associada a outras anomalias morfológicas no feto, sendo considerados como pés tortos complexos (associados a síndromes, doenças neuromusculares ou alterações cromossomiais).

O diagnóstico pré-natal tem algumas limitações que precisam ser explicadas aos pais.

De acordo com a correção obtida com a manipulação dos pés ao primeiro exame físico, os pés tortos podem ser classificados segundo critérios de Harrold e Walker, em:

– Grau 1 (posturais), ou seja, são aqueles em que conseguimos corrigir completamente o pé na primeira manipulação;

– Grau 2 (moderados), ou seja, aqueles em que, na primeira manipulação, podemos corrigir parcialmente a deformidade, exceto os últimos 20 graus de equino e varo;

– Grau 3 (graves) em que, na primeira manipulação, o pé tem comportamento rígido, não sendo corrigido passivamente.

A ultrassonografia não é capaz de definir a gravidade da deformidade ou o tipo de pé torto existente.

Portanto, como o tratamento depende do tipo de pé encontrado ao nascimento, questionamentos quanto a necessidade de tratamento e o tipo de tratamento necessário, dependerão do exame físico da deformidade, logo que nasce a criança.


O tratamento varia desde não precisar de nenhuma correção, necessitar de gessos sucessivos até a correção completa do pé, ou até tratamento com gessos sucessivos seguido de cirurgia para a correção completa da deformidade.

Sabemos que os pés tortos posturais, ou seja, aqueles em que na primeira manipulação são completamente corrigidos, sendo considerados os de deformidade leve, não necessitarão de tratamento.

Estudos revelam que cerca de 30% dos pés diagnosticados na ultrassonografia durante a gestação, serão classificados como pés posturais leves e que não necessitarão de nenhum tratamento. São os pés funcionalmente normais.

Aproximadamente 60% dos pés com diagnóstico ultrassonográfico pré-natal, necessitarão de cirurgia durante a etapa final do tratamento do pé torto para a que a correção completa da deformidade seja obtida.


Os 10% restantes serão os que conseguirão correção completa apenas com manipulações e gessos sucessivos semanais, seguido do uso de órtese para manutenção da correção.

As crianças que têm diagnóstico de pé torto como malformação isolada, terão capacidade de marcha normal nas idades adequadas, desde que tenham seus pés corrigidos precocemente seguindo os princípios do tratamento de Ponseti.



Já aquelas que têm deformidades complexas, ou seja, pés tortos associados a outras anomalias morfológicas na criança, a capacidade de marcha ficará na dependência do tipo de síndrome associada ou alteração cromossomial e do comprometimento ou não do sistema nervoso central.

A ultrassonografia gestacional pode dar resultado falso positivo, ou seja, o exame pode revelar o pé torto mas a criança pode nascer com o pé normal?

Embora pouco frequente, existem relatos de exames falso positivos, principalmente se considerarmos os pés tortos posturais na definição de falso positivo, visto que são pés que não necessitarão de nenhum tratamento e são considerados pés funcionalmente normais.

Conclusões:

O diagnóstico pré-natal de pé torto como deformidade isolada tem bom prognóstico para correção completa e marcha, desde que seguindo os princípios do tratamento de Ponseti.

A imagem da ultrassonografia não permite dizer a gravidade da deformidade e o tipo de pé torto existente, esse dado só pode ser obtido no exame físico ortopédico do recém-nascido.

Cerca de 60% dos pés, com diagnóstico pré-natal, necessitarão de cirurgia como a última etapa do tratamento para a correção completa da deformidade.

30% corresponderão aos pés posturais e que não necessitarão de tratamento.




Um abraço a todos!


Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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