Tuberculose óssea em crianças: como suspeitar?

Atualizado: 7 de Dez de 2020









Todos nós conhecemos a forma pulmonar da tuberculose, mas muitos desconhecem a forma extrapulmonar da doença.



No Brasil, a tuberculose pulmonar é uma doença endêmica.



Faz parte do calendário de vacinação das crianças, a vacina BCG, que deve ser aplicada no primeiro mês de vida e tem como objetivo estimular o sistema imunológico para as defesas contra a bactéria da tuberculose.



A vacina não impede que a criança tenha tuberculose, apenas impede as formas graves da doença.



A tuberculose pulmonar é transmitida por via respiratória, através da disseminação da bactéria por gotículas expelidas durante a tosse das pessoas com a doença.



A bactéria se aloja nos pulmões podendo ou não levar à doença.



Se o sistema imunológico estiver competente, os anticorpos inativam a bactéria alojada nos pulmões e não ocorre a doença.



Em situações onde há diminuição da imunidade ou quando a bactéria consegue superar as defesas do organismo, ocorrerá a doença pulmonar ou qualquer forma extra-pulmonar.



A tuberculose óssea:





Como a bactéria, que se aloja nos pulmões, chega até o osso?



Na verdade, os pulmões são apenas a porta de entrada da bactéria para o interior do organismo.



Ao chegar no pulmão, a bactéria atinge a corrente sanguínea e fica circulando pelo organismo porém, sendo inativada pelo sistema imunológico. Através do sangue, atinge diversos órgãos, inclusive os ossos e articulações.





A infecção óssea:





A tuberculose óssea tem uma evolução lenta e progressiva, diferente das infecções ósseas não tuberculosas, que apresentam evolução rápida e grave.







O quadro clínico:





– Dor no segmento acometido, geralmente na coluna vertebral (espondilodiscite), mas pode acometer qualquer osso ou articulação;



– Geralmente a intensidade da dor é leve, mas como a evolução é longa, há piora progressiva;



– A criança começa a mancar, ter dificuldade para sentar e ficar em pé;



– Febre intermitente, geralmente à tarde ou final do dia (vespertina) e perda de apetite e peso podem estar presentes;



– Abatimento e piora progressiva do estado geral da criança





O exame físico:



Geralmente encontramos o segmento acometido doloroso, com diminuição da mobilidade, podendo estar inchado mas sem sinais inflamatórios como vermelhidão, aumento da temperatura local, comuns das infecções não tuberculosas.





A investigação:



Em qualquer suspeita de infecção esquelética, seja tuberculosa ou não, é fundamental a realização de exames de imagem (RX) e laboratório (sangue)





A radiografia:



Como a tuberculose é uma patologia de evolução lenta, geralmente, quando a criança chega à consulta, já haverá alteração radiológica no segmento acometido.



A imagem que mais se associa à tuberculose óssea é semelhante a um cisto dentro do osso, próximo à região de crescimento do osso, como a imagem abaixo.




Há uma imagem arredondada, parecendo um orifício dentro do osso em questão.



Só esta imagem, não é suficiente para o diagnóstico porque existem inúmeras outras patologias ósseas com imagem semelhante podendo inclusive, ser idêntica à infecção não tuberculosa.



O laboratório:


As alterações existentes também não são específicas de tuberculose, os exames só revelam que existe uma patologia infecciosa em questão, sem identificar a causa.





O diagnóstico de certeza:



A única forma é através da identificação da bactéria causadora da doença em amostras de tecido colhido através de cirurgia (biópsia da lesão) ou através das alterações microscópicas existentes neste tecido (exame patológico).





O tratamento:



Geralmente é medicamentoso com medicamentos específicos fornecidos pelo Ministério da Saúde.



O tempo de tratamento é longo, sendo exigido terapia medicamentosa por 9 meses, para os casos osteoarticulares.



Cirurgia ortopédica é indicada para casos com falha do tratamento medicamentoso isolado ou, quando há formação de abscesso intra articular, exigindo drenagem.



Na coluna vertebral, a cirurgia é o tratamento de escolha quando há deformidade e comprometimento neurológico com fraqueza muscular, por compressão da medula espinhal.





Conclusões:





Tuberculose deve ser sempre lembrada no diagnóstico diferencial de infecções esqueléticas em crianças.



Embora não seja a causa mais comum, deve ser investigada principalmente nos casos em que a resposta ao tratamento habitual não ocorre.



Para o diagnóstico de certeza, é necessário a identificação da bactéria em amostras de tecido infectado.





Um abraço a todos!



Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

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