“Dor do crescimento” existe?

Atualizado: 3 de Dez de 2020







Quantos de vocês já não ouviram falar da famosa “dor do crescimento”? Este termo foi passando de geração a geração e ainda hoje ouvimos em nosso dia a dia. Mas crescer não é normal? Então não deveria doer, não é? Como crescer dói?

Vamos voltar aos tempos remotos, onde os estudos das causas das dores articulares nas crianças não eram totalmente esclarecidos. Os diagnósticos não eram claros, as crianças não eram acompanhadas a longo prazo, e qualquer dor nos membros inferiores (sem causa aparente), era rotulada como dor do crescimento.

Muitas dores osteoarticulares eram rotuladas como dor do crescimento e, com a evolução e repetição das queixas por parte da criança, outros sintomas associados surgiam, alertando o médico para o real motivo da dor. Assim, o que inicialmente era dor do crescimento, na verdade, era uma patologia a ser tratada.

São várias as causas de dores nas pernas em crianças e precisam ser avaliadas com exame físico adequado, raio-x e, às vezes, exames de laboratório para esclarecer o motivo.

No passado, achava-se que as dores nas pernas, geralmente abaixo dos joelhos, que costumavam surgir ao final do dia ou à noite, às vezes acordando a criança com episódios agudos de dor e choro, eram consideradas dores do crescimento, pois exigiam medidas como massagem ou até mesmo analgésicos.

Estudos atuais mostram que as “ditas dores do crescimento” são mais comuns em crianças que possuem as seguintes características:

– Crianças muito ativas, que gostam mais de correr do que de andar, gerando fadiga muscular;

– Crianças que têm maior flexibilidade articular, devido a maior elasticidade ligamentar.

Obs. Uma das funções ligamentares é estabilizar as articulações para absorver os impactos durante a marcha e com isso proteger os ossos dos impactos exagerados. A perda desta característica ligamentar submete os ossos dos membros inferiores a impactos maiores durante as atividades diárias e, como consequência, surgem as dores no final do dia ou no final de atividades físicas. O exame físico articular é suficiente para definir essa característica.

Outra causa de dor é a câimbra noturna nas panturrilhas. São agudas, temporárias, acordam a criança à noite e melhoram com a massagem e manipulação dos pés, pois acabam, involuntariamente, alongando os músculos da panturrilha. Como a criança de baixa idade não sabe informar essa sensação de câimbra, ela é interpretada pelos pais como dor sem causa conhecida, ou as ditas “dores do crescimento”.

RESUMINDO:

– Crescer não dói;

Diagnóstico de dor do crescimento não existe! (Fiquem atentos!);

– Existem várias causas de dor que devem ser pesquisadas e afastadas, principalmente para os casos intermitentes;

– A expressão “dor do crescimento” é falsa, porque o que dói não é crescer. Ou a criança é muito ativa com hipermobilidade articular, predispondo a fadiga e dor no final do dia; ou tem câimbra noturna. Pode haver também uma real patologia que simula esses sintomas e precisa ser descoberta e tratada;

– Não menosprezem as dores nas pernas, é comum banalizarem esses sintomas, rotulando-os como dor do crescimento, porém, nem sempre são dores benignas (que passam com massagem e analgésicos). Procurem auxílio e encontrem a causa, pois são vários os diagnósticos diferenciais.





Dr. Maurício Rangel é formado em Medicina pela Faculdade Souza Marques (1994) e médico Ortopedista Pediátrico. Trabalha atualmente em consultórios com atendimento ambulatorial e cirurgias ortopédicas pediátricas eletivas. Especialista em diversas patologias musculoesqueléticas em crianças e adolescentes e cirurgias relacionadas.

Consultório: Barra Life

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Telefone para contato: 3264-2232/ 3264-2239



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